Mesmo com o intenso trabalho dos Sindicatos da Categoria e Federações, muitos modelos ainda prejudicam a si
próprios e ao mercado, aceitando fazer desfiles em troca de roupas ou sem cachê algum, simplesmente pelo fato de estar no evento. Essa crescente necessidade de se auto afirmar, quando
vêem no glamour dos desfiles, uma possibilidade de ascensão social, somado a
ausência de cobrança efetiva em algumas regiões do DRT, anotação em Carteira de Trabalho que identifica um Modelo
Profissional, faz com que todo o mercado da moda se prejudique.
Os modelos profissionais, porque investem tempo e dinheiro em suas carreiras e tem seu lugar tomado por outro que sequer tem habilidades na passarela, como foi visto recentemente nos desfiles do Iguatemi Fashion Days em Belém, que sequer pode alegar a necessidade de dar espaço aos novos talentos, porque de acordo com a reclamação de algumas agências, são sempre as mesmas "caras" como numa "panelinha" e isso tem revoltado
não só os produtores que se vêem prejudicados nas seletivas, como também os verdadeiros modelos que agora já possuem seus DRTs e que passam a exigir uma fiscalização mais intensa para garantir seus direitos de prioridade nessas contratações.
Os produtores
também se prejudicam nessa relação de amadorismo, quando as agencias de propaganda e ate os promotores de eventos, contratam a
mão de obra sem intermediação das agencias e montam seu próprio elenco, podendo assim ditar regras de pagamento ao seu modo, novamente com a
ausência de uma tabela padrão ou de fiscalização dos órgãos competentes, o que
não tem acontecido em outras cidades, como em Brasília, que a mesma equipe da Cia Paulista de Moda produziu os desfiles, mas exigiu DRT lá, não fazendo o mesmo em Belem, quando no Park Fashion havia
três pisos de cachês : R$ 270,00 para internacionais, R$ 200,00 para modelos e R$ 100,00 para new faces, por dia de desfile, desde que apresentassem ao menos o Certificado de Capacitação Profissional emitido pelo SATED ainda que
provisório.
A
ausência de tabela e a contratação de forma irregular, prejudica as agencias de modelos que vivem das comissões sobre tal agenciamento e com receita inibida, nada podem fazer para investir em seus talentos bancando os que considere
potencialmente aptos a brilhar nas passarelas, e finalmente com isso acaba prejudicando o mercado, as lojas e eventos, que se
vêem obrigados a contratar curiosos, ou a buscar modelos de outros estados, pela falta de habilidade por falta de preparo dos que dispõe na cidade. Então fecha-se o circulo vicioso, que
inicia no modelo que não sendo cobrado pelos promotores de evento sua
profissionalização, não buscam isso; passa aos agenciadores que não tem alunos pra treinar e preparar ao mercado ou
não conseguem cobrir seus custos com os poucos que repassam o valor das
comissões e finalmente o mercado, que acaba colocando amadores na passarela e prejudicando a beleza
daquilo que deveria ser um show de profissionalismo. Cabe a cada um fazer a sua parte e buscar o melhor a todos.
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